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Tuesday, April 19, 2005

Uma noite das arábias

Nem eu nem ela esperávamos
Nesta noite, na tenda do sultão
Houve o encontro do bravo mouro
E da ninfa marfínea
Tecelã de versos
Os deuses o toque de suas
Bocas provocaram
As servas de Khalili dançaram
Acenando um futuro
de muitos beijos

Thursday, April 14, 2005

Por um triz

O cara que sou
não posso ser
Devo ser outro.
Proibido de amar,
proibido de demonstrar
Que amo

Pois é gente, como dizia o poeta de olhos claros que se enforcou aos 23 anos, "quando a rotina bate forte/ as ambições estão em baixa/ e o ressentimento, em alta/ e as emoções não florescem/ e você muda seus caminhos/ toma diferentes estradas/ então o amor, o amor separa rasgando"... Não é verdade? Estou na merda de novo, numa super merda. Ninguém nunca vai saber o que foi o meu último domingo, na solidão do apê. Nenhum filme me distraía, apenas algumas risadas fluíram ao ver VHSs podres de velhas pegadinhas, vídeos caseiros da idade da minha filha. Era por as costas no colchão que o coração acelerava e dilacerava e de pé voltava para o sofá. Obrigado menina de cabelos vermelhos. Só espero que tenha sido por um triz, como cantam Samuel Rosa e Rodrigo Leão:

"Só o amor pode juntar
O que o desejo separou
Não poderia ontem se
Vestir de amanhã

Só o amor pode apagar
O que o desejo rasurou
Inventaria ontem
Pra existir amanhã"

Sunday, April 03, 2005

Encontros, desencontros e o encontro

Três dias seguidos, uma quarta, uma quinta e uma sexta. Três artistas diferentes: Otto, Ludov e Skank. Três situações diferentes: desencontros, encontros e "o" encontro. A semana musical começou bem com o convite da velha amiga F., colega da faculdade de jornalismo, longos 13 anos de amizade. Perguntou se eu não gostaria de ir no show do pernambucano Otto, em nova fase, pai, tentando sair de um certo esquema de badalação em excesso e sucesso duvidoso com uma versão suave e gostosa de "Pra Ser Só Minha Mulher", de Ronnie Von, conhecida na versão do Rei.

A conversa flui bem, afinal os encontros são esparsos, então ambos tínhamos muito para contar. Revelações feitas, ambos começam a sentir que não são mais os adolescentes de 18 e 17 anos de outrora e vão ficando cansados. Otto brinca com o horário e pergunta com vergonha: "já passou da meia-noite???". 3h30 de quinta não dava mais, show na metade, a amiga some e eu pego um táxi. R$ 35.

Quinta-feira à noite, chego sozinho ao show do Ludov. Tudo indicava que ía ser mais um dos meus inúmeros shows sozinho. Começou com a geladeira do Blen Blen, cheias de Schins, NS2 e Primus. Não dá. Da Vodka de Ieltsin, Dostoievski e outros me servi e, muito. Encontro a velha amiga P., em alto cargo no comissariado petista, o mesmo corpo, e um pouco do mesmo mau humor, ou impaciência com minhas piadas, principalmente quando aviso, jocosamente que o senhor Fábio Assunção (é assim que escreve ou é com "p", como o Itamar?) estava no recinto.

Bem, depois do desconforto e de uma água, fui voltando ao meu estado normal e a P. voltou a rir das minhas piadas (até o Marco Bianchi riu de uma piada minha, quando sugeri que a banda do Edgar tocasse "aquela, a 17ª do show de Birigui"). No meio da pista encontro uma ex- que havia conhecido ali mesmo, cinco anos antes, num show de WW. Amiga de F., ela me perguntou se a havia visto. Disse que sim. Tudo bem, sem constrangimento, fui apresentado ao marido dela como amigo. Ótimo. Antes da despedida, um abraço, nela e em outra amiga, esta também sumida, não fosse o Orkut, M., irmã da M, filhas do J.R.C.C., ator de seriados globais. Era na casa dela que minha banda ensaiava em Santos. Nenhum dos três encontros me garantiu uma carona, táxi de novo. R$ 21.

Ah, mas a sexta foi especial. No trampo, a Li começou a armar de irmos no show do Skank, disse que levaria sua amiga Lu, uma linda fotógrafa, pele de porcelana, cabelos de fogo, encaracolados. O coração já batia mais forte, visto a excelente impressão que ela havia deixado quando nos conhecemos antes da Páscoa. Arranjamos a carona com a providencial A e fomos todos. No caminho e antes do show, a conversa com Lu fluía e eu começava a desprender meus pés do chão, como logo veria os dela a pular durante "tequilas", "saideras" e "partidas de futebol". Meu Deus, e como ela pula com graça! Num ímpeto raro de coragem não-alcóolica, a tirei para dançar uma mais lentinha e demos um jeito na falta de jeito. Terminamos cantando Beatles, que saía das caixas de som, após o encerramento. Na despedida, um abraço e a promessa mútua de nos vermos mais vezes... Ai. E de minha cabeça ela não sai. E como é bom se sentir assim.

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