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Wednesday, February 23, 2005

Relendo

Olhem só essa notinha da EFE que passou despercebida na edição de ontem do C2:

Policiais são obrigados a ler ‘Dom Quixote´
Os 1.200 policiais da cidade mexicana de Nezahualcoyotl deverão ler, por obrigação, Dom Quixote, a fim de pôr em prática um plano da prefeitura que quer "elevar o nível cultural" dos agentes. Eles também deverão ler "a cada semana ou quinzena" uma obra de Gabriel Garcia Márquez, Truman Capote, Juan Rulo, Paco Ignacio Taibo ou "outro grande da literatura universal".

Fiquei imaginando uma lista para a Rota:

"Rota 66", do Caco Barcelos, óbvio
"A Declaração Universal dos Direitos do Homem"
Talvez para saberem que mulheres têm cérebro e sentimentos, algum livro da Clarice Lispector, talvez o "Perto do Coração Selvagem", pois "A Hora da Estrela", numa leitura rasa, poderia suscitar mais espancamentos contra nordestinos durante gerais nas periferias da vida
Poderiam ler também "Germinal", de Zola, só para lembrarem que um trabalhador em greve não é bandido
Antes de dormir, quem sabe, eles poderiam ler uma dose de cinco páginas diárias de "Sidarta", do Hesse, como uma prece para que não percam a humanidade em troca de algum novo índice de produtividade macabro do governo do nariz de alfinete e seu secretário psicopata.

Sunday, February 20, 2005

Dança de salão

Me disseram ontem que eu aprendi a fazer viradinha no salão ao ficar só observando os casais no Green Express. Mais eu digo. Só não me acabei no Green Express porque eu estava só o pó. E tenho dito. Mas que devemos observar os mestres com humildade, devemos. E como o amigo do amigo disse, "Zoyd, acho que chegou a hora de me matricular num curso de dança de salão". Eu também quero, mas esse é o ano de pisar no freio. Fica para a lista de desejos.

E não é...

Que uma das maiores psicopatoafetivas que eu conheço criou uma comunidade chamada "Querem Cozinhar o Meu Coelho", sobre ex-parceiros obcecados???? Logo ela??? Que depois de uma discussão imbecil de quatro horas, dentro da minha casa, ainda queria que eu ligasse para ela depois e, passada uma semana, me liga perguntando onde eu estava quando ela tomou uma caixa de Lexotan, querendo me fazer sentir culpado???

Presença de A. Fin.

Quem conhece A. Fin sabe de quem estou falando. Pois é. Virou senha. É só a A. aparecer que o show que eu vou assistir é estupendo. Já aconteceu três vezes: Coldplay, Teenage Fanclub e agora mais um. A estava lá, cega que só, e os shows do Ludov e do Wonkavision (aliás, que banda maravilhosa!!! E que tecladista, uma miss!!!) foram simplesmente incríveis. O melhor show (em rodada dupla) de bandas independentes que eu vi nos últimos 30 anos.
Uma história está acontecendo, um movimento. 700 pessoas lotando a sala Adoniran Barbosa, no CCSP, filas quilométricas, necessidade de chegar cedo para garantir o ingresso, CDs vendendo a rodo na banquinha da entrada, jovens, coroas e crianças (nossa, muitas crianças!!!) cantando as letras do Ludov em côro. Uma banda extasiada pela carinhosa recepção, com sorrisos evidentes, sem ter vergonha de assumir a felicidade por estar sendo reconhecida por um trabalho bem feito. Eu amo essa banda. Já deu para perceberem né???

Friday, February 18, 2005

Kinks + Stereolab

Blogger. Vai tomar no cu. Tinha escrito um puta texto sobre o show do Júpiter Maça no Sesc Pompéia ontem e essa merda deu falha na conexão e apagou meu texto. VÁ PRA PQP BLOGGER!!!!

Friday, February 04, 2005

O DIA EM QUE O POP ROCK FOI FELIZ

Que delícia chegar em casa e encontrar o CD novo sobre a mesa. Que delícia saber que não errei na compra. Pois é. O EP "Dois a Rodar" pôs as cartas na mesa e deu todas as pistas. O álbum "O Exercício das Pequenas Coisas" apenas confirmou: o Ludov veio para ficar no cenário pop-rock nacional, mas não é só, pois já está fazendo história.
Este álbum de estréia (na verdade o terceiro do grupo, que havia gravado dois discos inteiros como Maybees) é o "Pet Sounds" atrasado do pop brasileiro. Essa banda de mão cheia, formada por Mauro Motoki (guitarra, teclados e outras coisas), Habacuque Lima (guitarra), Vanessa Krongold (voz), Edu Filomeno (baixo) e Paulo Chapolin (bateria), extrai de seu caldo de cultura formado por Beatles, Mutantes, Bossa Nova, Brit Pop Fofinho, Pato Fu, Los Hermanos, Beach Boys, Burt Bacharach, REM, Smashing Pumpkins (fase Mellon Collie), em uma combinação perfeita com a voz entre o raso e o profundo de Vanessa, que poderia ser definida como uma Fernanda Takai com a potência de Chrissie Hynde e Natalie Merchant, o pop rock mais perfeito já escrito no país.
Mérito de Motoki, Lima e Vanessa, os compositores do grupo, mas mérito também de um disco esmerado, incrivelmente bem produzido, sem preguiça de experimentar arranjos novos _arriscando mais no teclado, overdubando vozes, violões, acrescentando coros, novos instrumentos...
Apesar das diferentes fontes musicais e da mutante voz de Vanessa, o disco é coeso e flui sem grandes turbulências do princípio ao fim, entre baladas puras como a onírica "Sete Anos", com vocal de Motoki, ao momento 10,000 Maniacs de "Estrelas" e as simbioses agridoces e pesadas de "Kriptonita" (a faixa de trabalho) e "Dorme Em Paz" (para mim, candidata a hit).
Espaço não falta para a criatividade da banda, que dá um chega prá lá na inveja com a bela "Gramado" (Se o gramado ao lado todo esverdeado/ Parecer melhor que o seu/ Tome mais cuidado com esse mau olhado/Não venha cuspir no meu), sacode o esqueleto na instrumental 5upertrunfo (assim, com 5. Uma homenagem ao REM e seus 4´s nas letras???), faz um link com a Jovem Guarda na batida da guitarra em "Elastano" e dá um presentinho aos atrasadinhos com o hit "Princesa", que os levou a ganhar o VMB categoria "Revelação". (MO)

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