Thursday, December 30, 2004
Matt Dillon é coisa nossa
Coisas do Rio. Não sei se isso significa que a cidade está bombada, caída ou segura. Mas eu, Bruno e mais dois amigos estávamos agora há pouco caminhando pela rua Riachuelo, na Lapa, retornando para nossa base em Fátima, quando vimos Matt Dillon (ele mesmo, de "Selvagem da Motocicleta" e "Quem Vai Ficar Com Mary?") caminhando tranquilamente pela rua, dando suas baforadas num charuto.
Super cool e totalmente na dele, sem nenhum estrelismo, ele caminhava acompanhado de um amigo e logo um séquito de "descolados" frequentador do bairro resolveu ciceroneá-lo _um dos caras, aliás, era uma versão miniaturizada do Gustavo Kuerten.
Matt e o amigo caminhavam rápido, quando um dos brasileiros pede para ele andar mais devagar. Humilde, ele pára, mas passa o seu sabão: "Man, I'm from New York, I use to walk fast. You always walk too slow". Pois é, esse é o cara, caminhando numa boa, conversando com quem o abordasse. Enquanto isso, por aqui, neguinho sai do Big Brother e pede cachê por uma entrevista... Dá licença...
Coisas do Rio. Não sei se isso significa que a cidade está bombada, caída ou segura. Mas eu, Bruno e mais dois amigos estávamos agora há pouco caminhando pela rua Riachuelo, na Lapa, retornando para nossa base em Fátima, quando vimos Matt Dillon (ele mesmo, de "Selvagem da Motocicleta" e "Quem Vai Ficar Com Mary?") caminhando tranquilamente pela rua, dando suas baforadas num charuto.
Super cool e totalmente na dele, sem nenhum estrelismo, ele caminhava acompanhado de um amigo e logo um séquito de "descolados" frequentador do bairro resolveu ciceroneá-lo _um dos caras, aliás, era uma versão miniaturizada do Gustavo Kuerten.
Matt e o amigo caminhavam rápido, quando um dos brasileiros pede para ele andar mais devagar. Humilde, ele pára, mas passa o seu sabão: "Man, I'm from New York, I use to walk fast. You always walk too slow". Pois é, esse é o cara, caminhando numa boa, conversando com quem o abordasse. Enquanto isso, por aqui, neguinho sai do Big Brother e pede cachê por uma entrevista... Dá licença...
Monday, December 27, 2004
Entrevista do Chico
Alguém leu aquilo ontem (26/12)??? Foi a mais grata surpresa que tive com a Bolha de S. Paulo nos últimos tempos. Será que o Lula leu e, principalmente, o Palófi e o Zédirceu? Nem sou fã do cara, mas ele foi genial, falou a real, sem bancar superioridade. E com humildade, sem posar de exilado, detectou o mal maior desse nosso Brasil: esse apartheid que está aí, que já está acontecendo. E que não é um mal só do Rio não. São Paulo vive essa tragédia também. Igual.
Não fossem as poucas ONGs honestas, os voluntários, uns poucos funcionários públicos abnegados (eu tinha horror a funcionalismo público, mas depois que me tornei um, descobri que alguns são verdadeiros servidores e entendem o sentido desta palavra), algumas iniciativas governamentais isoladas, uma grande parte dos artistas que sabem que a arte deve buscar o belo, que é igual ao bem, os rappers, o pessoal consciente da periferia, o que seria desse país???
Só não concordei com o Chico em uma coisa. Ele acha que a esperança está se esvaindo mesmo, que o sentimento de "não tem jeito" já tomou conta, mas eu acho que ainda dá sim. Claro que não dá para agora, mas que dá, dá... É só não esmorecer.
Alguém leu aquilo ontem (26/12)??? Foi a mais grata surpresa que tive com a Bolha de S. Paulo nos últimos tempos. Será que o Lula leu e, principalmente, o Palófi e o Zédirceu? Nem sou fã do cara, mas ele foi genial, falou a real, sem bancar superioridade. E com humildade, sem posar de exilado, detectou o mal maior desse nosso Brasil: esse apartheid que está aí, que já está acontecendo. E que não é um mal só do Rio não. São Paulo vive essa tragédia também. Igual.
Não fossem as poucas ONGs honestas, os voluntários, uns poucos funcionários públicos abnegados (eu tinha horror a funcionalismo público, mas depois que me tornei um, descobri que alguns são verdadeiros servidores e entendem o sentido desta palavra), algumas iniciativas governamentais isoladas, uma grande parte dos artistas que sabem que a arte deve buscar o belo, que é igual ao bem, os rappers, o pessoal consciente da periferia, o que seria desse país???
Só não concordei com o Chico em uma coisa. Ele acha que a esperança está se esvaindo mesmo, que o sentimento de "não tem jeito" já tomou conta, mas eu acho que ainda dá sim. Claro que não dá para agora, mas que dá, dá... É só não esmorecer.
Monday, December 06, 2004
Mau humor da Bolha
A Bolha é o jornal da minha porta. E eu odeio a Bolha. A Bolha resolveu, nos últimos tempos, meter o pau em Steven Spielberg e Tom Hanks. Robert Zemeckis, então, coitado...Se dois deles se juntam para fazer algo, então... Pois então, Hanks e Zemeckis juntaram-se e fizeram o que qualquer produtor que tivesse dinheiro adoraria fazer. Pegaram uma história de apelo incrível: a fábula americana "Expresso Polar" e produziram um filme de custo milionário. Para não ficar só nisso, fizeram o filme com uma nova técnica de animação, baseada em movimentos reais do corpo humano.
Nota da Bolha: uma ou duas estrelas, dadas pelo Diego Assis, o maior especialista do mundo em desenhos que ninguém viu. Numa opinião um pouco mais decente, o equilibrado Sergio Rizzo, no Guia da Bolha, disse que o filme era atração para crianças. Nem uma coisa nem outra. Filme excelente, com uma boa história e apelo universal, como devem estar votando os leitores pesquisados na porta do cinema.
Minha filha amou, eu amei, minha mulher também. Foda-se a Bolha.
E o filme tem uma das melhores frases do ano: "o importante não é saber para onde vai o trem, mas decidir subir no trem". E tem uma música linda também, cantada pelo garoto pobre, que mesmo dublada ficou boa.
A Bolha é o jornal da minha porta. E eu odeio a Bolha. A Bolha resolveu, nos últimos tempos, meter o pau em Steven Spielberg e Tom Hanks. Robert Zemeckis, então, coitado...Se dois deles se juntam para fazer algo, então... Pois então, Hanks e Zemeckis juntaram-se e fizeram o que qualquer produtor que tivesse dinheiro adoraria fazer. Pegaram uma história de apelo incrível: a fábula americana "Expresso Polar" e produziram um filme de custo milionário. Para não ficar só nisso, fizeram o filme com uma nova técnica de animação, baseada em movimentos reais do corpo humano.
Nota da Bolha: uma ou duas estrelas, dadas pelo Diego Assis, o maior especialista do mundo em desenhos que ninguém viu. Numa opinião um pouco mais decente, o equilibrado Sergio Rizzo, no Guia da Bolha, disse que o filme era atração para crianças. Nem uma coisa nem outra. Filme excelente, com uma boa história e apelo universal, como devem estar votando os leitores pesquisados na porta do cinema.
Minha filha amou, eu amei, minha mulher também. Foda-se a Bolha.
E o filme tem uma das melhores frases do ano: "o importante não é saber para onde vai o trem, mas decidir subir no trem". E tem uma música linda também, cantada pelo garoto pobre, que mesmo dublada ficou boa.
Você come muito requeijão?
Se a resposta for sim, guarde uns para o amigo. Houve um acidente em casa sábado. Minha filha queria um copo de plástico, mas não me esperou para pegar. Já viu né? O armário quase foi ao chão. Só não caiu, porque ela segurou "o mesmo" com uma presença de espírito incrível para seus 3 anos e meio. Também não se machucou. Tudo que estava dentro caiu. Copos e xícaras sobraram pouquíssimos. Pratos estavam em outro armário. Aguardo doações.
Se a resposta for sim, guarde uns para o amigo. Houve um acidente em casa sábado. Minha filha queria um copo de plástico, mas não me esperou para pegar. Já viu né? O armário quase foi ao chão. Só não caiu, porque ela segurou "o mesmo" com uma presença de espírito incrível para seus 3 anos e meio. Também não se machucou. Tudo que estava dentro caiu. Copos e xícaras sobraram pouquíssimos. Pratos estavam em outro armário. Aguardo doações.
Thursday, December 02, 2004
Surpresas do Canal Brasil
É o canal mais sem grana dos canais da Globosat, mas como nos apronta surpresas... Ontem, lá estava eu no amarelão, zapeando, quando me deparo com uma cena de crueldade policial, anos 30, na crueza da Caatinga. Tratava-se de "Corisco e Dadá", de Rosemberg Cariri (alguém sabe se ele fez mais algum filmes depois deste?). Som tosco, imagem ou cópia tosca, lá fui eu assistir... Não dava para parar.
Por mais que o filme possa ter problemas técnicos, a atuação de Chico Díaz, como Corisco, é impecável. A crueldade do bandido e de seus inimigos, os "macacos" (polícia), irmãos de miséria, separados apenas pela origem do dinheiro que os sustentava, era algo descomunal. Assistí-la, ainda que dramatizada, dói.
O diretor (que também é roteirista) não cai na besteira de transformar Corisco em um Robin Hood do sertão. De herói, o curioso personagem tinha pouco ou nada. Homem de carne e osso, com um ferimento que o aleijou, pensou em se entregar, mas Dadá, de acordo com o filme, o impediu.
Pai de três filhos sepultos na caatinga, ainda recém-nascidos, Corisco "desreza" o Credo. Díaz impressiona na cena: "Não creio em Deus pai, que não é o Todo Poderoso..." Grita, chora, esperneia, e ao ver um inimigo logo depois, cala o choro somente após satisfazer-se com o sangue da vítima.
E nessa dor e com essa humanidade foi construído o personagem e um filme que, mesmo simplório, vale a pena assistir.
É o canal mais sem grana dos canais da Globosat, mas como nos apronta surpresas... Ontem, lá estava eu no amarelão, zapeando, quando me deparo com uma cena de crueldade policial, anos 30, na crueza da Caatinga. Tratava-se de "Corisco e Dadá", de Rosemberg Cariri (alguém sabe se ele fez mais algum filmes depois deste?). Som tosco, imagem ou cópia tosca, lá fui eu assistir... Não dava para parar.
Por mais que o filme possa ter problemas técnicos, a atuação de Chico Díaz, como Corisco, é impecável. A crueldade do bandido e de seus inimigos, os "macacos" (polícia), irmãos de miséria, separados apenas pela origem do dinheiro que os sustentava, era algo descomunal. Assistí-la, ainda que dramatizada, dói.
O diretor (que também é roteirista) não cai na besteira de transformar Corisco em um Robin Hood do sertão. De herói, o curioso personagem tinha pouco ou nada. Homem de carne e osso, com um ferimento que o aleijou, pensou em se entregar, mas Dadá, de acordo com o filme, o impediu.
Pai de três filhos sepultos na caatinga, ainda recém-nascidos, Corisco "desreza" o Credo. Díaz impressiona na cena: "Não creio em Deus pai, que não é o Todo Poderoso..." Grita, chora, esperneia, e ao ver um inimigo logo depois, cala o choro somente após satisfazer-se com o sangue da vítima.
E nessa dor e com essa humanidade foi construído o personagem e um filme que, mesmo simplório, vale a pena assistir.
Wednesday, December 01, 2004
U2 novo não é ótimo, mas também não é irrelevante
Acabei de ler a coluna do ótimo Arthur Dapieve no Estadão de hoje em que ele dá uma detonada no novo CD do U2, "How to Dismantle Na Atomic Bomb", com a elegância de sempre, dizendo que, do álbum inteiro, apenas três músicas novas se salvam: "Vertigo", "Sometimes You Can t Make It On Your Own" e "Crumbs on Your Table" e que todo o resto é irrelevante.
Mesmo sendo fã do U2 e, portanto, suspeito, tenho que discordar. O disco, com certeza, não é o melhor do U2 e não é melhor que o anterior, "All That You Can t Leave Behind" _este sim, uma obra-prima, com a tão sonhada, discutível porém aceitável, "volta às raízes".
Em "...Bomb", a banda acrescenta duas pitadas à sua salada de referências que vale a pena ressaltar. Na excelente "All Because of You", Bono e Edge e a banda mostram que podem se oxigenar com estilos posteriores a banda. A música é um britpop assumido, forte, com guitarra rasgada e cheia de fade, com um riff empolado, quase maneirista, como só Noel Gallagher, pensava eu, soubesse esculpir, mas Edge também sabe. Já sonho com uma versão ao vivo com os irmãos madchesterianos no palco.
A outra coisa bacana é que a banda apurou mais ainda a arte de produzir um blend de suas referências e de suas outras fases nesse disco, dosando melhor tudo um pouco que eles já fizeram, prova disso é que trabalharam no álbum com produtores de todas as suas fases: Steve Lillywhite, Flood, Daniel Lanois e Brian Eno.
Riffs marcantes, uso de instrumentos acústicos, o baixo econômico e ao mesmo tempo rico de Adam Clayton, os falsetos de Bono, os backings de Edge. Está tudo lá, melhor dosado, gerando idéias novas como a letra à la Roberto Carlos de "A Man and a Woman", cujo romantismo não afeta o arranjo, que remete aos do álbum "Unforgettable Fire".
Lógico que, como o crítico ressaltou em seu texto, é uma grande cascata Bono dizer que sente "... Bomb" como o primeiro disco do U2, mas não é de se desprezar o DVDzinho que acompanha o CD. Gravado em dois dias, os depoimentos e a música ajudam a mostrar como o U2 faz o seu trabalho no estúdio, de como junta os pedaços de idéias e os transformam em pérolas pop, como é o caso do riff de "Vertigo" e a transformação de "Sometimes..." em uma canção mais bela devido a introdução de um falseto de dois versos, que mudou a canção completamente já na boca do gol.
Em resumo, para um fã do U2, "... Bomb" é essencial. Para quem não é, é um disco bom, melhor do que a média da produção atual. Afinal, qual disco ultimamente tem quatro ou cinco canções excelentes??? Franz Ferdinand, com certeza, Kasabian, talvez, mas alguém me diz mais algum?
Acabei de ler a coluna do ótimo Arthur Dapieve no Estadão de hoje em que ele dá uma detonada no novo CD do U2, "How to Dismantle Na Atomic Bomb", com a elegância de sempre, dizendo que, do álbum inteiro, apenas três músicas novas se salvam: "Vertigo", "Sometimes You Can t Make It On Your Own" e "Crumbs on Your Table" e que todo o resto é irrelevante.
Mesmo sendo fã do U2 e, portanto, suspeito, tenho que discordar. O disco, com certeza, não é o melhor do U2 e não é melhor que o anterior, "All That You Can t Leave Behind" _este sim, uma obra-prima, com a tão sonhada, discutível porém aceitável, "volta às raízes".
Em "...Bomb", a banda acrescenta duas pitadas à sua salada de referências que vale a pena ressaltar. Na excelente "All Because of You", Bono e Edge e a banda mostram que podem se oxigenar com estilos posteriores a banda. A música é um britpop assumido, forte, com guitarra rasgada e cheia de fade, com um riff empolado, quase maneirista, como só Noel Gallagher, pensava eu, soubesse esculpir, mas Edge também sabe. Já sonho com uma versão ao vivo com os irmãos madchesterianos no palco.
A outra coisa bacana é que a banda apurou mais ainda a arte de produzir um blend de suas referências e de suas outras fases nesse disco, dosando melhor tudo um pouco que eles já fizeram, prova disso é que trabalharam no álbum com produtores de todas as suas fases: Steve Lillywhite, Flood, Daniel Lanois e Brian Eno.
Riffs marcantes, uso de instrumentos acústicos, o baixo econômico e ao mesmo tempo rico de Adam Clayton, os falsetos de Bono, os backings de Edge. Está tudo lá, melhor dosado, gerando idéias novas como a letra à la Roberto Carlos de "A Man and a Woman", cujo romantismo não afeta o arranjo, que remete aos do álbum "Unforgettable Fire".
Lógico que, como o crítico ressaltou em seu texto, é uma grande cascata Bono dizer que sente "... Bomb" como o primeiro disco do U2, mas não é de se desprezar o DVDzinho que acompanha o CD. Gravado em dois dias, os depoimentos e a música ajudam a mostrar como o U2 faz o seu trabalho no estúdio, de como junta os pedaços de idéias e os transformam em pérolas pop, como é o caso do riff de "Vertigo" e a transformação de "Sometimes..." em uma canção mais bela devido a introdução de um falseto de dois versos, que mudou a canção completamente já na boca do gol.
Em resumo, para um fã do U2, "... Bomb" é essencial. Para quem não é, é um disco bom, melhor do que a média da produção atual. Afinal, qual disco ultimamente tem quatro ou cinco canções excelentes??? Franz Ferdinand, com certeza, Kasabian, talvez, mas alguém me diz mais algum?