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Friday, November 26, 2004

I miss the confort in being sad (?) I don´t

Como dizia o amigo Cobain em "Frances Farmer Will Have Her Revenge in Seattle", já dá até para sentir saudade do conforto que é bancar o sujeito melancólico, mas decidi que já estava na hora de tirar umas pedras que atravancavam meu caminho. Decidi correr atrás do meu tratamento para a apnéia, aos poucos estou voltando a tocar, a escrever e compor (pelo menos o violão já foi afinado e as primeiras linhas rejeitadas pela minha própria revisão) e o camarada Shiro já parou por aqui para ouvir minhas lamúrias e revisar uns arranjos da velha Embryo (aliás, .40, vc tá dentro? sua mente punk-stones seria muito importante...).
Além disso, resolvi por uma ordem no coração... Acho que breve, breve, poderei contar mais. Agora não...

Somos a América do Sul

Gente, qualquer pessoa que se interesse por "nuestra" America Latina não pode deixar de ler o diário (desculpe a palavra, amigo, pois é muito mais que isso) do nosso amigo Mal-Acabado. Com suas havaianas, o amigo está caminhando bastante e calejando a bunda em intermináveis horas em busões (infectos ou não), olhando a paisagem da janela e parando em uma e outra "capital de departamento", mas ele faz muito mais que olhar. Ele vê e sente.

Sunday, November 14, 2004

Revitalização uma ova

Há mais ou menos uns quatro anos, o governo do Estado entregou a população a Sala São Paulo - transformação do grande salão da estação Júlio Prestes em uma sala de concertos, prioritariamente de música clássica.
Quando do lançamento, arquitetos manés apregoavam que a sala revitalizaria aquele detonado trecho do centrão de São Paulo, para ser mais exato uma das pontas da cracolândia, diante, aliás, de um prédio pertencente ao grande Caldeira (o cara que era dono da Folha, antes dos Frias), a horrorosa antiga rodoviária de São Paulo e seu telhado estilo saia de arlequim, hoje um centro de compras podrão.
Pois é, mas nada mudou depois da inauguração da sala São Paulo. O cheiro de urina na praça Júlio Prestes é insuportável, os mendigos e nóias continuam morando lá. Em pleno dia de show, na manhã desse domingo, apenas dois estacionamentos nas imediações estavam abertos, o comércio, tirando alguns botecos, fechado. E qual a maior novidade que tem por lá??? O futuro "Shopping São Paulo", que será especializado em telefonia e informática, ou seja, muamba. Será que o Law Kim Chong tá abrindo um novo empreendimento?
Então me digam, de que adianta revitalizar um lugar se nada é feito pelo entorno? O Estado vai dizer, o entorno é obrigação da prefeitura, mas junto com a fundação Roberto Marinho estamos reformando a estação da Luz e já reformamos a Pinacoteca. Além disso, a Sala São Paulo realiza eventos a preços populares, como os Concertos Matinais...
Pudera, se os Concertos Matinais de domingo fossem vespertinos, o público, que não lotou 100% do espaço, não lotaria 20% com medo dos nóias e ladrões. O Estado também não faz nada para levar essa música para a periferia. Custava fazer um projeto em conjunto com a Gabriela Chalita e levar uns dois ônibus lotados de alunos de escolas estaduais das desmazeladas outras cidades da Grande São Paulo, por exemplo?
Bem, pelo menos, o projeto Concertos Matinais tem duas coisas boas. Excelente música (no domingo me emocionei com o talento de Antonio Nóbrega e seu conhecimento e sensibilidade sobre o folclore nordestino) e a possibilidade de ver, mais uma vez, que a realidade do Brasil não é a excelente sala São Paulo, mas a decadente podridão no entorno dela...

Tuesday, November 09, 2004

O fim de uma instituição brasileira

Esse post é uma homenagem ao Sergio Faria, do Catarro Verde. Alguém aí já viu o que fizeram com a bala de leite Kids, uma verdadeira instituição brasileira??? Lembra, aquela do "quando o baleiro parar...". Pois é minha gente, a bala perdeu as suas duas maiores características: o formato rombudo e a consistência quebra-queixo. Mas o pior nem é isso, o pior é que não tem mais gosto de bala de leite Kids. A bala é tão ruim, que você sente os cristaizinhos de açúcar na boca. Um lixo. Passe longe. Detalhe: a bala agora é fabricada na Argentina, pela Arcor, dona da marca Kids. De bala, nossos hermanos não entendem nada mesmo...

Monday, November 01, 2004

Chalaça cachorrenta

Foi um dia punk ontem. A festa de reencontro da turma da faculdade, bem ao estilo da turma, havia terminado às 6h45 da manhã de domingo, mas eu ainda tive que dar expediente até as 8h... Dormi menos de quatro horas, almocei na casa da minha mãe e corri para a estrada. Subi em menos de 50 minutos até minha sessão eleitoral, morrendo de sono. Dormi até a hora de ir para o show dos Detetives e Acústicos e Valvulados.
O Detetives é muito bom, alternativaço, meio Jon Spencer, meio Butchers Orchestra, só que mais palatável, mas com um vocalista que é um excelente guitarrista e que canta com sotaque arrghentino, que eu espero que seja natural e não um gracejo. Levantaram a galera, especialmente com o "hit" Brasil 2000, "Shine", e uma cover simplesmente excelente de "White Light, White Heat".
No intervalo até o show do Acústicos rolou uma programação totalmente excelente e eu dancei como um louco, até o meu coração ou seriam gases???, me pregarem o maior susto _uma puta dor no peito e uma arritmia que me fizeram pedir água literalmente. Parei por alguns minutos com a chalaça para ficar recuperado a tempo do show.
Como na sexta-feira, na Fiesp, os caras tocaram tudo de bom dos seus últimos três discos. Show para se cantar junto, que é, com certeza, a característica mais legal da banda. Só não tocaram, não sei porquê, "O Sol da Estrada", e a maravilhosa "Noutro Lugar", mas essa eles não tocam mesmo, a não ser que eu berre bastante, mas eu não estava conseguindo gritar muito. O show foi ótimo, apesar do cansaço de todos os quatro ser nítido, principalmente do Móica, que sentou algumas vezes junto à bateria para respirar.
Mais uma vez o Rafael mostrou o seu incrível talento de disfarçar a rouquidão. Queria entender como isso é possível, pois quando ele fala, a voz demonstra cansaço, mas no show alcança os agudos, os berros. Assim como no show do Wander Wildner, os integrantes do Cachorro Grande, que estão morando em São Paulo, estavam na platéia, fazendo côro com suas namoradas, ou seriam groupies???
Os caras estavam muito loucos, zoando com o Grêmio e com o novo e excelente baixista dos Valvulados, Daniel Mosman, mais conhecido como Jesus ou Messias, nosso Salvador.
No final, o momento totalmente excelente da noite, Rafael, exatamente como eu já imaginava durante todo o show, chama os caras do Cachorro Grande para um set de covers. Já esperava que viria Beatles, e veio, com "Day Tripper", em versão estupenda, seguida de "Jumpin´Jack Flash", dos Stones. Foi aí que eu tirei o Mick Jagger da manga e dancei muito...
Uma noite estupenda em que só faltou um bom papo. Passei o show inteiro sem conversar com uma alma sequer. Sozinho, mas feliz, mas às vezes o rock´n´roll tem dessas coisas: duas bandas excelentes e público sem graça, mesmo assim é bom. Duro foi entrar no carro, ligar o rádio e cair na realidade da apuração dos votos...

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