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Sunday, October 24, 2004

Assistam

"A Vida de David Gale". gente, que filme sensacional. Kevin Spacey, simplesmente esplêndido, Kate Winslet, simplesmente linda e fofinha, direção do Alan Parker, coesa, produção de Nicholas (Coppola) Cage. Simplesmente bom.

Wednesday, October 13, 2004

Notícias

O Barão Vermelho voltou. Cuidado.

A Ivete Sangalo separou.

A Sandy será personagem de desenho da MTV.

Dá para saber se um homem é bom de cama pela cara? Leia em Nova.

A Luciana Gimenez está namorando um homem mais velho e rico.

E daí???

Pra pensar

"Eu tenho tudo o que quero, pois eu nunca quis porra nenhuma", Wilson das Neves, baterista

Sunday, October 10, 2004

Guerra

Após deixar o carro no estacionamento (essa é a única merda de morar no predinho, o lugar não tem garagem), cruzo a Vergueiro e desço a rua do medo, sempre com o cu piscando (um gordo, branco, tentou me assaltar a meio quarteirão de casa na minha primeira semana no bairro).
Ao descer a "ladeira da morte", começa um movimento, um alemão sai com um cachorro desses de boy de casa e dois moleques descem a ladeirinha correndo. Umas donas gritam de uma janela para outra, uma delas "informa" que a polícia "já" está chegando para prender o ladrão (ri por dentro nessa hora). Uma mulher grita e chora, com o supercílio cortado, poucos estão preocupados com ela e nada lhe perguntam.
No "barrio", a polícia só faz presa e gosta mesmo é de ficar parada na frente da pizzaria dando proteção paga para o local. Isso é tão claro, que assim que a pizzaria fecha, não se vê mais um gambé na área.
Os moleques que desceram a rua correndo e o cara do cachorro, pelo que entendi, deram uma geral num negro. O cara não tinha nada em cima e cresce, alterado, para cima dos brancos. "Aqui o bagulho é louco, não vem não!!!". Estava tão irado com a truculência de seus vizinhos, que fazia menção que sacaria uma arma, mas não tinha nada...
Aqui no barrio há uma divisão. No meu quarteirão, por exemplo, só moram brancos, pessoas com caras de designer, velhos, japoneses e chineses. Os negros e nordestinos frequentam a escola pública do bairro, meio quarteirão para cima e muitos moram nos "quitinetes musicais", um quarteirão para baixo. Chamo o local assim porque o condomínio chama-se Sinfonia, com prédios de nome "Verdi", "Aida", etc.
Mas o auge da sandice acontece quando a polícia chega. Um negro (outro) que passava na rua de baixo, já abre a jaqueta e levanta os braços, pois sabe que vai tomar geral. Os corajosos maconheiros do bairro, com seus pijamas e pedaços de pau, ficam olhando, junto com o alemão do cachorro. Os canas já saem de arma em punho e revistam o negro. Se roubou, largou, pois o cara não tinha nada em cima.
Puxam o DVC do rapaz, enquanto "trocam uma idéia", com ele. De onde eu vi não deu para ver se houve violência. Mas a atrocidade partiu do amontoado de gente em que se transformaram meus vizinhos. Uma mulher gritou "mata" para os policiais!!! Será que essa imbecil tem noção do que disse??? Matar um homem desarmado e rendido??? Onde ela pensa que está???
Graças a Deus, os gambés devem ter comido umas rosquinhas mágicas e estavam sossegados. Deu alguma coisa na capivara do maluco e guincharam o rapaz, espero, para delegacia, enquanto outra viatura passou a tomar os dados da velha para fazer o B.O.
Agora eu só quero ver a vingança da turma das ruas de baixo. Vou tomar mais sol e aprender umas músicas dos Racionais, porque a vingança virá a cavalo. "O bagulho é louco!!!". Essas donas não sabem o que fizeram essa noite...



Paz

Às vezes o acaso nos leva a cometer imprudências que nos levam ao paraíso. Já tinha desistido de ir ver o show do Wander Wildner, quando saí de casa, ontem à tarde. Fui levar os presentes de 12 de outubro da minha fila, brinquei com ela e me dirigi ao cinema. Queria ver "Terminal", às 19h20. Ao chegar na p... do Cinemark do Market Place, a sessão estava esgotada. Era o que eu precisava. Peguei R$ 30 e me mandei para ver o show do bardo Gaúcho Wanderley Luís Wildner.

Nada de calça de couro ou camisa havaiana, hoje ele encarnaria o punk-brega com sua calça vinho da capa do disco "Paraquedas do Coração", produzido por Tom Capone. O show já começou com violão, entre elas "Rodando el Mundo". Já com sua guitarra em punho, Wander convida ao palco o novo Comanchero, Astronauta Pinguim, que deixou mais brega-luxo ainda o lance.

No show, WW pôde mostrar seu lado intérprete e o seu lado compositor. Tocou suas versões de "Candy", "I Believe In Miracles", "Lonely Boy", "Empregada", "Um Lugar do Caralho", mas também, claro, originais suas e de parceiros, mas que ele eternizou: "O Sol que Me Ilumina", "Camiseta", "Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro", "Bons Refrões", "Quase Um Alcóolatra", "Bebendo Vinho".

Antes de voltar para o bis, Wander fez uma homenagem linda. Deixou a guitarra dando microfonia. Quando voltou, disse que o som era a alma do amigo Tom Capone. Voltou mais insano ainda e fechou o show com "Hippie Punk Rajneesh", do repertório dos Replicantes.

Como estava sem grana e a casa não aceitava cartão, passei a noite com duas cocas e totalmente na minha. Não cumprimentei nem os conhecidos indies, com seu ar blasé e cara de que não te conhecem. Tomem no olho, seus cu... No fim do show, bati um papo com uns malucos que vieram de Recife ver a Bienal e aproveitaram a estadia para conferir Wander em pessoa. Tive o prazer de dizer que a cidade deles é do caralho e o maluco, com a camisa do Náutico e a menina mais linda da noite, teve o cúmulo de dizer que gosta do clima daqui...

Depois do show, comedidamente, fui tietar o WW. Pude finalmente dizer pessoalmente para ele que minha filha ama "O Sol Que Me Ilumina", disse para ele que ele já estava fazendo música para criança. Ele perguntou o nome da minha filha, eu disse, e contei que tocava a música para ela, trocando o nome de Juliana para o dela. Ele ficou super contente.

Fiquei decepcionado com o público. No começo só estava a galera fã do Banzé, banda até legal. Guitarra, baixo e bateria, mas os bundões não se mexiam para dançar com as músicas excelentes que o DJ tocou. Fiquei sacudindo na cadeira ao som de "Rebel Rebel", porque não estava bêbado para dançar sozinho. Fazer o quê??? O DJ percebeu que a galera era cu e começou a tocar merda, de propósito. Teve a manha de fechar o set com uma bosta do Aeroshit. Depois entrou um Zé Blasé, que estava acompanhado de uma mina mais blasé ainda, com cara de trainee da Folha, e conseguiu tocar mais atrocidades ainda, músicas ótimas para ouvir em casa, mas que não se tocam numa pista, um mané.

Quanto ao Banzé, tocaram umas músicas bem legais, o vocal é até bom, empunhando sua Rick lindona, preta, mas quem deu show foi o baixista, um animal. Postura, volume, tudo. O cara é o melhor baixista de São Paulo, fácil. Vale ver a banda pelo cara, mas ainda eles precisam comer muita poeira e o público deles conhecer um pouco mais de música...



Wednesday, October 06, 2004

Caetano sifu!!!

Gente, a MTV, como sempre, se superou. Conseguiu, num programa só, fazer o pior e o melhor VMB da história. Teve muita coisa ótima, mas os micos, infelizmente, deverão ficar como a marca da décima edição. Só para variar, os melhores momentos ficaram para os representantes do que melhor há na MTV: Bonfá e Bianchi detonaram nos comentários do Rock Gol de Festa, nos intervalos, principalmente ao zoar com o Selton Mello, que eles pediram que fosse substituído pelo irmão dele, o Danton, ou pela Sheila Mello, e também colocando-o no Bola na Fogueira. Os dois não tiveram medo de zoar com o maior mico da festa também: os dois crepes consecutivos no (chato) show do Caetano (eu não não consigo parar de gemer quando canto em inglês) Meloso e o David Byrne (que mico, hein!!!).
Também foi excepcional a performance do hilário Joselito (Hermes & Renato) como o roteirista da MTV, que inventa os forçadíssimos e duros textos da festa. Por falar em texto, Otto foi o responsável pelo melhor da noite ao apresentar Negra Li e Helião e dizer: "São Paulo, ouça a periferia. A periferia tá certa, o centro tá errado!". Recado dado na presença de Serra e Marta na platéia. Para bom entendedor, meia... Até o Mion mandou bem.
Musicalmente, houve três momentos sensacionais: Ludov ganhando melhor clipe independente, recebendo o troféu de Arnaldo Baptista; Skank e Replicantes (com Wander), levando "Surfista Calhorda" e "I Wanna be Sedated", mesmo com problemas graves no som (as guitarras tavam sem peso nenhum) e a apresentação do Sepultura, com Nação Zumbi e LanLan (tava linda a filha da puta!!!), levando a instrumental "Kaiowas", do Andreas Kisser, mistura de trenzinho caipira (Villa-Lobos) com canto indígena e maracatu.
As gostosas da noite conseguiram ser as bagaceiras Monique Evans e Syang. Fernanda Lima estava muito discreta, porque perdeu para la Cicarelli, deslumbrante, mas burra como sempre e tímida, segurando o vestido no final de sua entrada, porque o decotão quase entregou suas peitolas siliconadas.
Foi bom também a Pitty ganhar de Capital Inicial, Sepultura e outros com a bacana "Equalize". O clipe com os melhores momentos do João Gordo foi cool. Outro ponto bom do VMB foi colocar apresentações musicais que não foram hits do ano. E as homenagens, inúmeras, ao grande Tom Capone.
As merdas
Bem, que lindo ter entrado sinal de rádio no microfone do Caetano, aquela microfonia também. Mesmo quando a apresentação deu certo, o público ensaiou umas vaias aos gemidos pútridos do Caetano na versão chata de Nothing But Flowers. Pelo menos o Byrne manteve a dignidade diante do mico. Ambos deviam ter sido mais humildes e fazer uma versão de "Psycho Killer", algo mais conhecido.
Herbert Vianna, só para variar, estava perdidaço junto com o Ira! no reprise da boa versão de "Feliz Aniversário" com a banda, o que salvou foi que o Edgar e o Nasi perceberam o problema e meteram violão e voz por cima. Por falar em Paralamas, a versão de "Uma Brasileira", com o Los Hermanos, foi a única de hits do VMB, encomendada pela MTV, que deu certo. Todas as outras foram um desastre, como "Epitáfio", com o CPM. Aliás, o Badauí está cada vez mais a cara do Fagner.
A Preta Gil e o beijo forçado em Syang, que só rolou devido ao "lesê-faire" da segunda. Alex Band, óbvio que não daria certo... Quanto ao Selton Mello, ainda não entendi qual foi a dele. Que Bonfá e Bianchi ou o Cláudio Ricardo apresentem o prêmio ano que vem.

Além do Otto, as melhores frases foram:
"Queria aproveitar essa zona de programa e anunciar que tô vendendo o meu Monza 84, ´carro de garagem´", Paulo Bonfá
"Dizem que sou louco, por pensar assim/ que estou muito ´rouco´...", Arnaldo Baptista

Monday, October 04, 2004

Classe ´mérdia´

Acabei de ler agora na Carta Capital da semana passada uma frase de Mano Brown que é a mais pura verdade: "O classe média já é apavorado por natureza". Que frase incrível! Em uma linha sintetiza tudo o que acontece na sociedade (país maluco que vota em assassinos, charlatões, mas que pelo menos já vota em putas e travestis, sem medo) e comigo.
Sou filho de dois migrantes nordestinos, um casal errado, mas que durou muito (26 anos) com o intuito de nos criar (eu e minha irmã). Tem conceito mais classe média que insistir no erro??? "Sou brasileiro e não desisto nunca". Pois é... Taí o Maluf para comprovar!!!
Cara, eu tinha que ser pobre, mas meu pai é zelador de prédio. Quer coisa mais classe média que isso??? Como ser só pobre e revoltado, se você tem um monte de ricos ou "classe média alta" embaixo de você (os apartamentos de zelador em Santos ficam na parte mais alta do prédio, geralmente, ao lado da casa de máquina dos elevadores (mãe de todos os meus pesadelos) e eles chamam você para brincar, jogar bola e as mães deles te dão gelatina colorida, bolo...
Fiz pré em escola particular, porque era inteligente. Aprendi a ler com quatro anos, o caminho meu era o estudo. Minhas recordações da primeira série são os castigos. Odiava a cartilha, pois já sabia ler e ria dos "burros" que estavam aprendendo ali e não entendiam. Fui CDF a vida inteira, só comecei a zoar na sétima série, quando encontrei minha turma, mas continuei um cabaço, que só perdi quando já estava na faculdade, com 18 anos.
A vida inteira tive medo de tudo: de me dizerem não, de bola, de levar bolada, de ficar machucado, de cair, de não enxergar direito, de fimose... Este último foi ótimo, pois gerou o grande amor pela masturbação, que me tornou um grande amante da Arte.
Cresci e os medos mudaram: não aprender a tocar aquela música, de ter de aceitar sempre a opinião dos outros, de não entrar em confrontos para não perder oportunidades, medo de tocar guitarra (fui tocar baixo, porque ninguém queria, então topei...). Ou seja, passei a ter o talento admirável de fazer quase tudo aquilo que ninguém quer fazer... Um CM Típico.
Claro que como todo classe ´mérdia´, eu canalizei minha rebeldia de alguma forma. Lógico que eu não fui rapper _ coisa de pobre!!! Lógico que tinha que ser roqueiro, até porque até meu pai, um dia, já tinha sido cabeludo e usado "calça Lee".
Cresci, consegui algumas coisas. E aí, começa o drama urbano de ser classe média: medo de perder o salário mais ou menos, medo de perder o emprego, medo de perder o frila, medo de ter o carro vagabundo roubado, medo de ter o rádio do carro roubado, medo de entrar numa favela, medo de não falar a língua dos manos, medo de ser zoado, medo de estar sendo ridículo, medo de não estar sendo amado, medo de perder a namorada, medo de brigar.
Só uma coisa me conforta: ser classe média baixa. Talvez por isso, tendo a ser um pouco mais pobre e desapegado que a classe média normal, mas não tanto assim. Entretanto, um dia eu ainda vou chutar o balde de vez, quem sabe???
E os que têm herdeiros sempre têm o consolo da projeção. Minha filha parece ter muito pouco medo, tenho orgulho dela, espero que ela continue assim.


Sunday, October 03, 2004

Air Guitar

O caro amigo Luiz conseguiu mais uma vez. Fez uma puta festa no Picasso, ali do lado do Cambridge. Enquanto a gente via um bando de trouxa pagar seus pecados na fila da Trash 80´s, eu e MS pudemos dançar loucamente, devidamente aditivados com o "Fire" (Smirnoff e Red Bull). Foi bom ver a galera toda, toda a cambada que trabalhava no Yellow Building nos bons tempos, quando ía para lá com prazer, trabalhar com aquela trezada. Apesar da barriga quase jackblackniana, fiz muito air guitar, com direito a jumps, ajoelhada no chão, air bass e air keyboards, rodinha nas melhores do Oasis e duck´s walk... Teve de tudo, Suede, Manics, Oasis, Smiths (acho), Ramones... Coisa extremamente bem conduzida pelo gente fina Buldrini e pelo próprio aniversariante... No tears. Tudo fechado com um x-calabresa na Paulista e muitas risadas...


Friday, October 01, 2004

Oh, Lonesome Me

Música e Letra : Don Gibson
Gravada por Roy Orbison, Neil Young e outros

Everybody’s going out and having fun
I’m a fool for staying home and having none
I can’t get over how she set me free.
Oh, lonesome me

There must be some way that I can lose these lonesome blues
Forget about my past and find someone new
I’ve thought of everything from a to z
Oh, lonesome me

I’ll bet she’s not like me
She’s out and fancy free,
Flirting with the boys with all her charms
But I still love her so,
And brother don’t you know
I’d welcome her right back here in my arms

Pois é, nem sempre a gente pode ter tudo o que quer, a toda hora, e do jeito que gostaria que fosse, mas foda-se. Essa é a rima hoje, pois tem festa e eu não vou perder.
Para quem quiser, vai ser no Picasso e vai estar a velha turma do Yellow Building. Para "homi" é R$ 20.

Fim da transmissão.

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